quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Policial Civil...e a perda de Identidade!


Acho salutar e uma boa luta essa coisa do USO (ou não) do fardamento para o Policial Civil.


Não somos polícia judiciaria (que isso seja dito!) e muito menos uma polícia preventiva e ostensiva (ainda não!!). Portanto, vestir uma “farda” ou indumentária semelhante a “jegue em lavagem de igreja”... para além do desvio de finalidade é algo grotesco e circense.


Precisamos valorizar nossa identidade e nosso papel na estrutura da segurança pública. Somos (ainda) uma polícia que deve prezar pelo anonimato, segredo, uma “estória-cobertura” que garanta a investigação e as técnicas operacionais de inteligência para fins da concretização da nossa tarefa fim. Isso é o que nos diferencia das demais policias administrativas, ostensivas e preventiva. Portanto, palmas aos e as colegas que assim entendem dessa forma e reivindicam contrariamente com precisão o papel que nos destinam nessas festas populares.


Já não bastasse a exigência (compreensível!!!) do uso de uma camisa padrão nas portarias, atendimento de plantão e espaços internos das unidades policiais e administrações.


Contudo, o que me assusta nesse ínterim é a expressão de uma patologia no nosso meio.  É que temos hoje como febre uma onda de policiais híbridos e a procura de uma identidade nada condizente com nosso papel. Total desequilíbrio!


Assistimos verdadeiros “bonecos(as) de Olinda”,  “trio elétricos bípedes”, “outdoor de Las Vegas” dizendo nos seus trejeitos, roupas e linguagem corporal: SOU PULIÇA!


É cinto operacional do Batman, bota do Rambo, Faca do Schwarzenegger, olhar do Braddock, Óculos do Neo do Matrix, Colete do G.I. Joe, Arma do Predador, AK-47, trocentos carregadores de pistola .40 e mais um Revolver 6 tiros .357 como Backup, (cinco jet load no bolso), cantil, canivete operacional, bomba de gás, spray de pimenta, cinco algemas de aço e vinte de polímero, rádio transmissor, dois celulares dual chip, espada do Steven Seagal, e o corpo do Dwayne “the Rock” Johnson. E por fim um inconveniente cérebro.


Se for para criticar essa atitude da secretaria, da Polícia Civil e manter essa lógica dantesca...mergulharemos na hipocrisia senil de uma categoria que viu seu passado cair em desgraça e vê surgir um mutante mostrengo militarizado que um dia se chamou INVESTIGADOR!


Por: Denilson Campos Neves, 
        Investigador de Policia Civil

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